4. ECONOMIA 28.8.13

1. O IMPACTO DO DLAR
2. AS PRINCIPIS DVIDAS PARA O SEU BOLSO

1. O IMPACTO DO DLAR
A valorizao da moeda americana atinge o Brasil em um momento de fragilidade. O governo reage, tenta conter o contgio cambial, mas os brasileiros pagam o preo de uma poltica econmica inepta.
MARCELO SAKATE E ANA LUIZA DALTRO

     Os brasileiros evocam lembranas do passado e parecem entender a mensagem com facilidade: o dlar em alta  sinal de menos dinheiro no bolso.  indcio de que a queda do poder de compra do real diante da moeda americana logo desencadear outros estragos que culminaro em inflao e desemprego. A oscilao na cotao cambial funciona como uma espcie de aferidor, em tempo real, da confiana depositada pelos investidores em um pas. Por esse termmetro, a poltica econmica brasileira passou a enfrentar, nos ltimos meses, uma crise de credibilidade. Na semana passada, o dlar comercial chegou a ser cotado a 2,45 reais, o maior valor desde dezembro de 2008. Nos ltimos trs meses, a alta acumulada alcanou 20%. O dlar turismo, aquele pago pelos brasileiros em viagens ao exterior, bateu em 2,60 reais. A rapidez na valorizao do dlar traz preocupaes em virtude de seus impactos sobre toda a economia. Os preos de produtos importados e tambm daqueles cujas cotaes acompanham os valores internacionais j subiram. 
     O aumento afeta itens considerados suprfluos, como carros de luxo, mas atinge tambm insumos indispensveis, como trigo, componentes eletrnicos e petrleo. Com o dlar mais caro, aumentou a defasagem no preo da gasolina e do diesel. O reajuste  iminente. Os economistas estimam que um aumento de 20% no preo do dlar, depois de um ano, eleva a inflao brasileira em 1 ponto porcentual. Ou seja, a inflao anual, hoje ao redor de 6%, subir para 7%, caso o dlar se estabilize no atual patamar. Por isso, o Banco Central (BC) dever continuar subindo a taxa bsica de juros, a Selic, nos prximos meses. 
     O cenrio ficou mais adverso para as empresas nacionais, um bom naco delas com dvidas elevadas contradas em dlares. Essa deteriorao de expectativas atingir o crescimento do PIB neste ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reduziu para 2,5% a expectativa de avano neste ano. A previso inicial era um avano de pelo menos 4%. Para evitar um contgio ainda mais acentuado na economia, o BC decidiu elevar a sua atuao no cmbio. Ser ofertado ao mercado, a cada semana, o equivalente a 3 bilhes de dlares, em leiles dirios, num total que poder superar 50 bilhes de dlares at o fim de 2013. No ser uma venda de moeda das reservas cambiais em moeda forte do pas, atualmente em 373 bilhes de dlares. A interveno ocorrer no mercado de dlar futuro. Por meio desse recurso, as empresas compram contratos de dlares a ser entregues em uma data futura, para assim se proteger de uma eventual alta mais  frente, quando tiverem de honrar as suas dvidas. Para os investidores,  uma forma de escapar da imprevisibilidade de saltos abruptos. 
     "Oferecer mais dlares, com datas programadas, reduzir as especulaes e aliviar as presses de alta da moeda americana", diz uma autoridade do governo. A medida foi anunciada na noite de quinta-feira, e, como reflexo, a cotao do dlar, depois de ter superado 2,40 reais, encerrou a semana em 2,36 reais, alta ainda. Ainda que a ao do BC seja bem-sucedida, dificilmente a cotao do dlar voltar para 2 reais, ao menos a curto prazo. Isso porque no  apenas no Brasil que a moeda americana est se valorizando. Diferentes pases, como a ndia e a Turquia, tambm tiveram de lidar com uma alta intensa do dlar nas ltimas semanas. O movimento mundial reflete o incio de uma virada na conjuntura externa. A economia dos Estados Unidos deixou a recesso para trs e passou a crescer em uma velocidade mais consistente, fazendo com que as taxas de juros comeassem a subir no mercado americano. A Europa tambm exibe sinais de recuperao. 
     Na avaliao dos economistas e investidores estrangeiros, so sinais de que se aproxima do fim o perodo de juro zero nos pases ricos e de abundncia de dlares nos mercados financeiros. Atualmente, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem colocado 85 bilhes de dlares ao ms na economia. Parte desses dlares acaba migrando para outros pases, como o Brasil, sendo aplicada, por exemplo, em aes de empresas ou em ttulos do governo. Com o fim dos estmulos do Fed, consequentemente diminuir o fluxo de recursos para os chamados mercados emergentes. 
     Esse fenmeno global de realocao de recursos foi o acelerador da virada no preo do dlar. Mas, no Brasil, surpreendeu a intensidade da valorizao, ocorrida numa velocidade no vista desde a crise financeira americana, h cinco anos. Nenhuma moeda perdeu tanto valor como o real nos ltimos trs meses. Para os economistas,  uma evidncia de que a mudana de conjuntura externa pega a economia brasileira em um momento de fragilidade  e soa infantil pr a culpa nas circunstncias externas, quando h evidncias de que o melhor seria corrigir os problemas internos. O pas sente o efeito, em primeiro lugar, do fim do ciclo de supervalorizao de commodities como a soja e o minrio de ferro, os principais produtos exportados, reflexo direto da queda no ritmo de crescimento chins. Alm disso, o Brasil voltou a registrar resultados negativos nas suas transaes comerciais com o exterior. Quando havia grandes saldos favorveis, sobravam dlares no pas, contribuindo para derrubar a cotao da moeda americana. Agora ocorre o contrrio. Mas essa inverso, convm insistir, no  filha apenas de efeitos externos. Ela reflete o fato de o pas ter crescido, por um bom tempo, acima de suas possibilidades. Nos perodos de sobra de dlares, toda a engrenagem econmica (setor pblico, empresas e pessoas) ampliou seus gastos em ritmo superior ao da capacidade de oferta da economia. Foi um reflexo das polticas de incentivo ao consumo patrocinadas pelos governos de Lula e Dilma. Agora, a conta chegou. 
     Os pases com grandes dficits em suas contas externas so aqueles que mais patinam, neste momento, com a escalada do dlar. Alm do Brasil, sentem esse efeito a ndia, a Turquia e a frica do Sul, entre outros. Foram economias que, a despeito de suas diferenas, mantiveram um ritmo de avano acelerado quando o vento externo soprava favoravelmente, mas hoje vivem a desacelerao e a sombra da inflao. A abundncia de capital ocultava rombos latentes, e a sua falta exps as mazelas, como aquelas acumuladas pelo Brasil. Para o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, o maior escrutnio dos investidores evidenciou as fragilidades. "Foi bom enquanto durou, mas infelizmente no nos preparamos para o perodo de diminuio do ingresso de dlares", afirma. O pas no aproveitou a fase de bonana para fazer reformas estruturais, reduzir o chamado custo Brasil nem para incentivar os investimentos em infraestrutura. "Cmbio no tapa buraco em estrada, no reduz fila em porto e no aumenta a produtividade", diz Franco. 
     Alm de no preparar o pas para os dias mais difceis, o governo promoveu uma srie de medidas que, aos poucos, minaram a previsibilidade da poltica econmica. A inflao foi combatida com artifcios tortos, como o controle no preo dos combustveis. A estratgia fracassou. "A inflao ficar ainda por mais algum tempo acima do centro da meta oficial, de 4,5%", diz o economista Andr Braz, da Fundao Getulio Vargas. "A margem de segurana, de at 6,5%, existe para ser usada, mas o Brasil recorre a ela pelo terceiro ano consecutivo; ento, obviamente, existe uma presso inflacionria. H que lembrar que este ano foi atpico, com fatores como a desonerao da energia eltrica e o cancelamento dos reajustes das tarifas do transporte pblico." 
     As consequncias da valorizao do dlar so evidentemente negativas a curto prazo. Com o tempo, porm, a alta poder trazer benefcios. As exportaes de produtos industrializados, castigadas nos tempos de dlar baixo, devero se recuperar. O Brasil tambm ter a chance de substituir um modelo de crescimento que vinha privilegiando o consumo interno por outro que tenha como foco os investimentos em infraestrutura, as exportaes e o ganho de produtividade da economia. Para tanto, porm, o governo dever fazer a sua parte, e talvez isso seja o mais difcil. Em primeiro lugar, restabelecendo a confiana na administrao da prpria poltica econmica. "No se pode negar a queda na credibilidade", diz o economista Armnio Fraga, ex-presidente do BC. "O governo deveria reforar o seu compromisso com o chamado trip da estabilidade econmica, relaxado nos ltimos anos." Esse trip estabelece metas para a inflao e para as contas pblicas, ambas no cumpridas pelo governo nos ltimos anos, alm do cmbio flutuante. " preciso obter um superavit fiscal de maneira transparente, sem artifcios. A meta de inflao deve ser perseguida com mais convico", afirma Fraga. Do contrrio, o governo importar uma crise que, sem os equvocos da poltica econmica, poderia ter passado  margem do pas, mas est a.  o fim do atual caso de amor do dlar com o Brasil. 

O preo da moeda americana, em reais
Abr/2013: 2
Ago/2013: 2,36

IMPORTADOS - O aumento do dlar dever elevar em 20%, em mdia, o preo de produtos trazidos de fora, como vinhos, trigo, mquinas, componentes e combustveis.
COMBUSTVEIS - O preo da gasolina e o do diesel esto defasados em 30% em relao aos valores pagos pela Petrobras l fora. Cedo ou tarde, haver reajustes.
INFLAO - O aumento de 20% do dlar tem um impacto de 1 ponto porcentual na inflao - que, se no for combatida, dever subir de 6% para 7% ao ano.
JUROS - Para combater o aumento da inflao, o Banco Central dever continuar elevando os juros. A taxa Selic, hoje em 8,5%, poder subir para 10%.
PIB - A combinao de dlar caro, inflao elevada e juros maiores esfriar o crescimento do PIB, que dever ser de 2% em 2013  ante uma meta inicial do governo de 4%.

ALTA VOLATILIDADE
No Brasil, o dlar sempre sobe em momentos de crise  externa ou interna (preo do dlar em reais)
(jan/1998) 1,12
(fev/1999) Incio do cmbio flutuante 2,06
(set/2001) Atentado de 11 de setembro 2,70
(set/2002) Tenso pela iminente vitria de Lula 3,89
(jul/2008) Auge da bolha financeira internacional 1,56
(fev/2009) Estouro da bolha financeira 2,37
(jul/2011) Valorizao recorde das commodities 1,55
(23/ago/2013) Crise de confiana no real 2,36

A DISPARADA DO DLAR
Entre os pases emergentes, o Brasil sofreu o maior impacto com a alta do dlar
(valorizao do dlar em relao  moeda local, nos ltimos trs meses)
BRASIL 20%
ndia 15%
Indonsia 10%
frica do Sul 9%
Turquia 7%
Mxico 7%
Argentina 7%
Rssia 6%
Chile 5%
Coreia do Sul 0
Fonte: Bloomberg

ARMNIO FRAGA
Ex-presidente do Banco Central e scio da Gvea Investimentos 
"A valorizao do dlar no  um fenmeno exclusivo do Brasil. Dito isso, h, sim, uma queda de confiana na poltica econmica brasileira. A isso se soma uma reviso para baixo das expectativas de crescimento do PIB. Para reconquistar a credibilidade, o governo deveria reforar o compromisso com o trip da estabilidade, ou seja, cumprir o superavit fiscal de maneira limpa e transparente, perseguir a meta de inflao de maneira convincente e reforar a ideia do cmbio flutuante."

GUSTAVO FRANCO
Ex-presidente do BC e scio da Rio Bravo Investimentos 
"Foi um perodo bom enquanto durou.  uma pena que o pas no tenha aproveitado melhor essa fase de abundncia de dlares e tenha perdido tempo insistindo naquela histria da guerra cambial, uma queixa sem o menor cabimento. A verdade  que acumulamos uma boa quantidade de razes para questionar a credibilidade do governo. A poltica fiscal brasileira  de um expansionismo que beira o irresponsvel, e temos um ano eleitoral pela frente." 

SAMUEL PESSOA
Economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundao Getulio Vargas (Ibre-FGV)
"Os pases que mais sofrem neste momento de reverso das condies monetrias nos EUA so aqueles com os maiores desequilbrios nas contas externas. O Brasil, que at poucos anos atrs tinha superavit externo, passou a acumular saldos negativos crescentes. O dficit equivale hoje a 3,5% do PIB, o pior resultado em mais de uma dcada, o que  especialmente grave para um pas cujo crescimento no tem superado 2% ao ano."

ILAN GOLDFAJN
Ex-diretor do BC e economista-chefe do Ita-Unibanco
"A volta do crescimento nos EUA parece ser uma realidade incontornvel, e o colapso da Europa no s no ocorreu como j vem dando espao a um crescimento, ainda que tmido. No Brasil, por sua vez, o cenrio  de crescimento mais baixo, confiana em queda e reduzido espao de manobra quando o assunto  poltica econmica. O aumento do dlar ocorre em um momento de inflao elevada. As concesses de projetos de infraestrutura, dependendo da maneira como forem realizadas, podero ser uma oportunidade para o governo atrair recursos e recuperar a sua credibilidade."

HORA DE APERTAR O CINTO
A tenso no mercado cambial preocupa o governo, porque pode afetar a sade das empresas e contagiar a economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou que no existe espao para dar novos estmulos ao consumo e revisou para baixo a sua previso de crescimento do PIB. O Banco Central, sob o comando de Alexandre Tombini, vai ampliar a oferta de dlares no mercado e dever subir a taxa Selic na prxima semana, para 9% ao ano.

TONY VOLPON
Chefe de pesquisa para mercados emergentes das Amricas do banco Nomura
"Quando existia grande fluxo de capital para os emergentes, os investidores eram menos crticos a questes como a poltica fiscal. Mas, quando o dinheiro comea a ser retirado, com impacto negativo no crescimento do PIB, os investidores ficam mais crticos. No Brasil, independentemente de os nmeros no serem to ruins como em outros pases, a m qualidade da poltica fiscal e a quantidade de incertezas a seu respeito afetam a confiana do investidor."

MAURCIO MOLAN
Economista-chefe do Santander Brasil
"O real apresenta uma sensibilidade maior  mudana de conjuntura. Em termos de comrcio externo, o Brasil  um dos pases mais fechados do mundo. Isso torna a moeda naturalmente mais voltil, porque os fluxos financeiros so mais volveis do que as transaes comerciais. Projetamos um crescimento de 2% para a economia neste ano e de 2% em 2014, mas os nmeros podem ficar abaixo disso. A queda na atividade econmica  ruim, mas reduz o impacto da depreciao cambial sobre a inflao.

UMA CHANCE PARA ATRAIR DLARES
     O governo espera que a rodada de concesses para a iniciativa privada na rea de infraestrutura, prevista para os prximos meses, seja capaz de reverter o ambiente de desconfiana entre os investidores. A expectativa oficial  que os projetos atraiam investimentos de at 470 bilhes de reais nos prximos anos, de grupos nacionais e estrangeiros, em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, alm de empreendimentos no setor eltrico e na explorao de petrleo e gs natural.  um montante equivalente a 60% de tudo o que foi investido no pas no ano passado. As esperanas esto depositadas especialmente no leilo do campo de Libra, na Bacia de Santos, programado para 21 de outubro. Ser a primeira rea do pr-sal levada a leilo. O consrcio que ganhar o direito de explorao, no qual a Petrobras ter participao mnima de 30%, precisar depositar 15 bilhes de reais no ato de assinatura do contrato, em novembro. 
 dinheiro suficiente para dar um alvio ao debilitado caixa do governo. O interesse das maiores petrolferas do mundo  dado como certo, o que ampliaria a entrada de dlares, tanto para o pagamento inicial como para investimentos necessrios  explorao. O consrcio ter de apresentar garantia equivalente a 611 bilhes de reais para o desenvolvimento do campo. "Se bem-sucedidas, as concesses podem trazer um choque favorvel nas expectativas", diz Maurcio Molan, economista-chefe do Santander. 
     Mas o governo perdeu tempo discutindo a taxa de rentabilidade e o modelo de concesso dos projetos em outras reas, e o cronograma das privatizaes atrasou. Agora, com a piora nas condies de financiamento externo, as autoridades correm contra o tempo. Em breve dever ocorrer a privatizao de estradas federais e, na sequncia, dos aeroportos do Galeo, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte. Outros projetos, contudo, continuam incertos.  o caso das ferrovias.

COM REPORTAGEM DE BIANCA ALVARENGA


2. AS PRINCIPIS DVIDAS PARA O SEU BOLSO
A repercusso da valorizao da moeda americana no cotidiano dos brasileiros

A COTAO DO DLAR CONTINUAR SUBINDO?
Fazer previses sobre o valor futuro de uma moeda  uma das tarefas mais ingratas para qualquer economista.  um cenrio sempre incerto e repleto de variveis. De qualquer maneira, os analistas estimam que dificilmente o dlar voltar para a casa dos 2 reais a curto prazo. Passada a turbulncia momentnea,  provvel que a cotao se estabilize ao redor de 2,30 reais. Ao mesmo tempo, se a conjuntura externa se agravar e o governo brasileiro no reagir de maneira adequada, o preo da moeda americana poder subir, nas prximas semanas, para 2,70 reais. O Banco Central, no entanto, anunciou que far oferta de 3 bilhes de dlares por semana para conter uma alta mais acentuada da moeda.

O AUMENTO DO DLAR AFETA AS APLICAES FINANCEIRAS?
Sim. As aes de empresas voltadas para as exportaes devero se beneficiar. O provvel aumento dos combustveis tambm poder reduzir as perdas da Petrobras. Mas, para a maior parte das empresas, o cenrio  adverso a curto prazo, em decorrncia da fuga dos investidores estrangeiros e tambm pela perspectiva de lucros menores. Desde o incio do ano, a Bovespa acumula queda de 17%. O aumento na taxa de juros tambm dever tornar os fundos DI mais atraentes. Para os pequenos investidores, a poupana e os fundos de previdncia continuam a ser as opes mais seguras.

TENHO VIAGEM MARCADA PARA O EXTERIOR. COMPRO OS DLARES AGORA OU  MELHOR ESPERAR?
Os especialistas recomendam comprar a moeda aos poucos. Desse modo, o turista ter adquirido os dlares com uma cotao mdia. Se a moeda americana se valorizar ainda mais, ao menos uma parte ter sido comprada com uma cotao mais favorvel. E, se o preo do dlar baixar mais tarde, haver ainda a chance de comprar a moeda ancorada numa cotao menor. 

FIZ COMPRAS NO CARTO DE CRDITO INTERNACIONAL. A FATURA FICAR MAIS CARA?
A taxa cambial  aquela da data do vencimento do carto. Se no dia em que a compra no exterior foi feita o dlar valia 2,30 reais, mas, na data de vencimento, o cmbio estava em 2,45, valer a cotao de 2,45 reais. Nos cartes pr-pagos (travel money) no existe esse problema.

OS PRODUTOS IMPORTADOS VO FICAR MAIS CAROS?
Sim. Os repasses j comearam. O trigo, por exemplo, j subiu 18% nos dois ltimos meses, com o impacto no preo da farinha e tambm no do pozinho. O querosene de aviao aumentou 5%, e o custo adicional dever ser repassado para os bilhetes. Carros importados, viagens, compras em sites internacionais  tudo o que tenha o preo atrelado ao dlar ficar mais caro. Diversas mercadorias produzidas no Brasil, como eletrnicos, dependem de componentes importados cotados em dlar. Se a cotao da moeda americana se estabilizar ao redor do atual patamar, espera-se um reajuste mdio de 20% em mercadorias importadas como vinhos e carros de luxo.


